Quais são as consequências de ter uma mão que fala?

Arsène Houssaye certa vez, ao fazer uma crítica a Edouard Manet pelas suas infames pinturas no salão de paris, escreveu: “Manet seria um artista excepcional se tivesse uma boa mão… Não basta de forma alguma ter uma fronte que pensa e um olho que vê; além disso, é preciso ter uma mão que fale”. Apesar de ter feito uma crítica a técnica do pintor, em resposta Emile Zola que era grande defensor de Manet alegou que as mãos que Houssaye se refere só sabem desenhar vestidos e etc. além de dizer:  “Não deseje que o mestre original e pessoal de quem o senhor fala tenha uma mão que fale mais do que ela já faz, pois isso não seria bom”.

Manet inclusive teve pinturas banidas do pelo governo como a litogravura de “A execução do Imperador Maximiliano do México” que fazia uma afronta direta à Napoleão III ao fazer o sargento que vai disparar o tiro com as mesmas feições que o governante. O pintor é um exemplo de pessoas que fazia críticas constantes ao governo e sociedade da época e tinha sua voz ouvida por meio dos polêmicos salões dos recusados em Paris.

A Execução de Maximiliano – Edouard Manet

“Na cultura do silêncio existir é apenas viver. O corpo segue ordens de cima. Pensar é difícil; dizer a palavra, proibido.”   (FREIRE, Paulo)

A questão é que sua voz deve ser ouvida, em distopias normalmente o primeiro passo para controlar as massas é deixar a população incapacitada de ter o raciocínio de reclamar da sua realidade, vivendo assim uma rotina onde apenas sobrevivem e exercem suas funções. Voltaire em uma carta a Frederico, príncipe real da Prússia fez uma bela apologia com ratos que define bem esse conceito:

“Os camundongos que habitam pequenas tocas num imenso edifício não sabem se ele é eterno, nem qual a sua arquitetura e tampouco por que foi construído. Tratam apenas de conservar sua vida, povoar suas tocas e expulsar os predadores que os perseguem. “ (VOLTARIE, em Cartas Iluministas, ed. Zahar, p. 42)

Dois ratos – Van Gogh

Mas a questão é: Vale a pena o esforço em ser ouvido? Manet passou anos de sua vida fazendo críticas não só para o governo, mas também para a sociedade e no fim ele era motivo de risos e chacota, mudanças não ocorreram graças as pinturas, a única coisa que veio foi uma popularidade, que apesar de hoje existirem várias analises do simbolismo em seus quadros e serem venerados, na sua época o artista não teve a sua voz ouvida como hipoteticamente desejava… digo hipoteticamente pois talvez a sua real intenção era criar polêmica para angariar fama.

Deixando de lado as intenções de Manet, fica a sensação de que aguentar em silêncio não vai trazer nenhum fruto, mas e se ao se manifestar você ganhar frutos envenenados? Por mais que intenção seja boa, a repercussão da sua opinião pode trazer resultados que nem sempre serão positivos.

 

Referências Bibliográficas:

BROMBERT, Beth Archer. Edouard Manet: Rebelde de Casaca. Rio de Janeiro: Editora Record, 1996

 

(isso originalmente foi um trabalho que fiz para minha aula de ética, adaptei para o modelo blog porém eu ainda penso em talvez acrescentar mais detalhes sobre as pinturas… foi preguiça mesmo kkkk)

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